Lançamento do historiador João José Reis, Prêmio Jabuti de Literatura

O Museu de Arte da Bahia promove nesta sexta (23), a partir das 18h30, o lançamento do livro: “Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia”, do historiador baiano, professor e pesquisador da UFBA, João José Reis. O mais novo mergulho do escritor na Bahia do Séc. XIX, considerado um dos mais importantes historiadores do Brasil, referência mundial para o estudo da história da escravidão, autor de diversos livros, entre eles “A Morte é uma Festa”, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Literatura. Entrada gratuita

Este livro de João José Reis revela o talento e primoroso trabalho de pesquisa do escritor na reconstituição da história dos negros de ganho, ou ganhadores, protagonistas de uma insólita greve que paralisou o transporte na capital baiana. Durante vários dias, em 1857, trabalhadores escravizados, libertos ou livres, todos africanos ou seus descendentes se organizavam em grupos de trabalho e percorriam a cidade de cima a baixo fazendo todo tipo de serviço, sobretudo o carrego de pessoas, objetos, ou a venda de alimentos e outras mercadorias.
Segundo os registros do livro de João José Reis, apesar dessa pretensa liberdade, em 1857, porém, a Câmara Municipal baixou uma postura impondo-lhes medidas que combinavam arrocho fiscal e controle policial. Mas os ganhadores, que já viviam dia e noite sob a vigilância e a violência de autoridades, senhores e “cidadãos de bem”, não se deixariam abater. O resultado foi a primeira mobilização grevista no Brasil a paralisar todo um setor vital da economia urbana. Baseado em ampla investigação em documentos escritos, impressos e iconográficos “Ganhadores” é um livro revelador e essencial para se compreender a intrincada rede de relações sociais, econômicas e culturais que estruturava a sociedade baiana do século XIX, ancorada na instituição da escravidão e caracterizada por um sistema de controle baseado numa economia de favores e domínio paternalista. Se o episódio de resistência narrado no livro do historiador baiano, trata mais especificamente da Bahia do século XIX, ele tem muito a dizer sobre as relações e opressões sociais e raciais no Brasil de hoje.
O Museu de Arte da Bahia é vinculado ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC – órgão da SecultBa.

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