Série fotográfica retrata jovens de Cajazeiras 11

Série fotográfica A Sobrevivência dos Vagalumes, de Max Fonseca, retrata jovens de Cajazeiras 11, em Salvador, e foi selecionada pelo Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger na categoria Ancestralidade e Representação.

A série fotográfica A Sobrevivência dos Vagalumes, do artista visual Max Fonseca, ganhará exposição de 09 de outubro a 24 de novembro, no Palacete das Artes, em Salvador, como parte da mostra do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger. O trabalho foi um dos selecionados na categoria Ancestralidade e Representação e retrata jovens de Cajazeiras 11, bairro periférico de Salvador. A abertura da exposição acontece hoje (terça, 08 de outubro), às 19h.

O fotógrafo se utiliza da metáfora poética dos vagalumes criada por Pier Paolo Pasolini, em 1941, para descrever aqueles que resistiam ao fascismo com coragem e poesia, e retomada pelo filósofo Georges Didi-Huberman no livro homônimo a esta série. “Tomo esse título emprestado não porque queira oferecer uma ilustração ao livro, mas porque reconheci nas suas metáforas uma chave de leitura útil para explicar essa realidade de um modo poético e delicado”, explica.

Fonseca retrata jovens negros do bairro onde ele mesmo nasceu e cresceu, seus vizinhos e amigos, em seus lampejos de força e beleza. As fotos abordam aspectos do universo simbólico e representativo do que se chama nas periferias de Salvador de “palozo”, pessoa que chama a atenção por parecer perigosa. Por trazer consigo um misto de risco, temor e respeito dentro da comunidade, essa estética muitas vezes é adotada por jovens locais em busca de pertencimento e autoestima. “Quero contribuir para uma outra experiência de apreciação desse tipo de estética periférica, esta que, nos dias atuais, coloca em risco a vida de muitos jovens e para a qual uma contrainformação parece mais que necessária”.

As imagens contrapõem o breu, as zonas de apagamento das periferias, ao brilho contido nesses corpos sobreviventes. “Os vagalumes tentam escapar como podem das luzes condenatórias que os procuram. Evitam os holofotes porque sabem que a espetacularização e o sensacionalismo atacam com voracidade as suas desgraças. A dádiva dessa existência é obscurecer toda a visão sistêmica e espetacularizada de crime e violência que os circundam para iluminar a si e à sua comunidade com suas potentes belezas marginais”, conclui sobre sua leitura da estética dos “palozos”.

A série completa é composta por 19 fotografias clicadas entre 2017 e 2019, cinco delas serão expostas nesta mostra do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, que é realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia – Funceb.

Sobre Max Fonseca

Max Fonseca (28) é artista visual multilinguagem, sua criação passa por fotografia, ilustração, pintura, grafite e vídeo. A arte entrou na sua vida através das palavras, ainda na adolescência, aos 12 anos. Poeta, tinha então em seus versos uma forma de criar imagens e guardar memórias. Para publicá-las, junto com amigos, foi um dos organizadores da revista literária “Na Borda da Xícara”, impressa com a contribuição de amigos e familiares. Em 2011, foi um dos vencedores do IV Prêmio Nacional Canon de Poesia.

Nesta época, já tinha se apaixonado por outra linguagem: a fotografia, com a qual teve contato na faculdade de jornalismo, em 2009. A obra de Pierre Verger o impressionou e foi sua principal influência, tanto na técnica, quanto na temática: fotografava em preto e branco, registrando a identidade local. Nascido e crescido no bairro de Cajazeiras 11, em Salvador, é dali que vem a principal inspiração e repertório para seu trabalho, focado na cultura popular, com especial atenção à ancestralidade e ao universo simbólico das periferias.

Entre 2013 e 2015, viveu em Luanda, Angola, onde trabalhou com marketing digital. O período serviu para reconhecer um pouco das potências e linguagens do povo angolano e suas aproximações com a cultura brasileira. Além de fotografar, registrava as cenas cotidianas em ilustrações, que se espalharam em grafites em muros de Luanda, Paris, Fortaleza, Moreré, Ibicoara e Salvador.

Realizou, em março deste ano, em Lugano, na Suíça, a exposição solo “Ancestrali”, que reuniu fotografias, ilustrações e pituras.

Serviço | Artes visuais

O quê? A Sobrevivência dos Vagalumes – Exposição Coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger

Quem? Max Fonseca

Quando? Abertura 09 de outubro, 19h; visitação de 08 de outubro a 24 de novembro

Horário de visitação? de terça a sexta, das 13h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h

Onde? Palacete das Artes – Sala de Arte Contemporânea Mário Cravo Junior

(Rua da Graça nº 284, Graça, Salvador, Bahia)

Quanto? Visitação gratuita

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