IDENTIDADE CULTURAL DA BAHIA INSPIRA DECORAÇÃO DO AEROPORTO DE SALVADOR

Principal porta de entrada dos turistas no estado, o Salvador Bahia Airport investiu no conceito de “sense of place” em seu projeto arquitetônico. A ideia, realizada em parceria com o escritório Thais Abreu Arquitetura, foi fazer com que a identidade cultural da Bahia, presente na arte, na música, nas paisagens e na gastronomia, seja percebida logo no momento do desembarque.

Entregue junto com a primeira fase de obras de modernização e ampliação do equipamento, que passou a integrar a rede VINCI Airports em 2018, a ambientação teve no azeite de dendê a sua maior inspiração. É o caso da Praça dos Dendezeiros, passagem obrigatória para todo o fluxo de voos do aeroporto e primeiro contato de quem chega à capital baiana com a cultura local. Localizada em uma nova área de 900 m², que faz a ligação entre o Píer Norte e o Píer Sul, é um lounge cercado por restaurantes pensado para que os passageiros relaxem enquanto esperam pelo embarque.

Com os pilares principais, que dão estrutura à obra, revestidos de madeira, o ambiente é uma forte alusão ao formato da palmeira do dendê (conhecida também como dendezeiro), da qual o tão famoso azeite é extraído. Aliado a isso, os pufes do local remetem ao formato de um dos quitutes mais famosos da culinária baiana: o acarajé; os bancos lembram os barcos que navegam na Baía de Todos os Santos, maior baía tropical do mundo; o traço orgânico do mobiliário faz referência ainda às ondas do mar, aos tambores e às rodas das baianas; tais como as poltronas Coco e Rede.

Outro ambiente criado com inspiração no estado é o painel skyline (horizonte formado pelo contorno dos edifícios de uma cidade) situado no corredor que dá acesso ao novo píer e que remete ao famoso passeio pela Baía de Todos os Santos. O painel destaca recortes de monumentos e edificações importantes no turismo em Salvador, como o Farol da Barra, Igreja do Bonfim, Elevador Lacerda e Palácio Rio Branco. Além disso, dispõe de molduras com nichos que representam as janelas da própria baía e que foram projetados para abrigar exposições itinerantes de artistas locais, que retratam a Bahia através de fotografias e gravuras.

Ao todo,15 molduras abrigam obras de origem baiana ou que remetam a temas relativos ao estado. Atualmente, está em cartaz a exposição “Salvador – Traços e Olhares, de autoria do artista plástico Elano Passos e do fotógrafo Will Recarey. Na mostra, o trabalho dos dois artistas se complementa na exposição e a mesma cena é retratada sob duas perspectivas diferentes, sempre trazendo ao espectador imagens típicas da capital baiana, como o Farol da Barra e as homenagens a Iemanjá no Rio Vermelho.

Conceito
Todo o projeto de interiores da nova área comercial também teve o sense of place como ponto de partida e foi o principal desafio lançado pela Concessionária do Aeroporto de Salvador aos arquitetos baianos Thais Abreu, Luiza Buratto e Alberto Sena para, que elaboraram o projeto sob a coordenação das arquitetas Paula Maia e Viviane Braga, da equipe técnica do Aeroporto.

O conceito busca ressignificar a arquitetura de um espaço de forma a conectá-lo com as pessoas que circulam por ali, refletindo uma sensação de pertencimento e possibilitando uma experiência multissensorial que desperte emoções e acesse, até mesmo, o inconsciente. “A Bahia provoca fortes emoções que não deixam indiferentes aqueles que passam por aqui. É uma terra de cultura, ritmo e calor. É muito importante adotar um conceito que integre o Aeroporto – espaço conhecido como “não lugar” pela sua transitoriedade – ao seu entorno, transformando-o num ‘lugar’ que se soma e se funde com o contexto em que está inserido”, afirma Yann Le Bihan, diretor técnico do Salvador Bahia Airport e mentor do projeto.
Entregue ao público no dia 31 de outubro, o Salvador Bahia Airport ganhou 22.000 m² de expansão, incluindo a inauguração de 50 novas operações até março deste ano, entre restaurantes e lojas que seguem o conceito de valorização local. O crescimento da área comercial é de 40%, totalizando 9 mil m² e, além das lojas que já estavam presentes no terminal, outros negócios foram selecionados justamente por já possuírem as referências do estado em seus estabelecimentos ou por estarem dispostos a criarem novos estabelecimentos que atendam esta demanda.

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