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    Iemanjá a Rainha do Mar

    Cultura BaianaBy Cultura Baiana10/06/2023Updated:01/02/2024Nenhum comentário5 Mins Read
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    Iemanjá é conhecida como a Rainha do Mar e possui diversas representações no Candomblé, como Asèssu, que é Iemanjá vestida de verde, e Assabá, que é Iemanjá vestida de azul. Seu nome deriva da expressão iorubá “Yèyé omo ejá”, que significa “Mãe cujos filhos são peixes”. Iemanjá, também conhecida como Yemanjá, Yemaya, Iemoja ou Yemoja, é um orixá africano e é identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá. Na mitologia iorubá, Olokun é a dona do mar e mãe de Yemojá, ambas de origem Egbá.

    Yemojá é saudada como Odò ìyá pelo povo Egbá, devido à sua ligação com Olokun, o orixá do mar. Ela é frequentemente referida como a rainha do mar em outros países e é cultuada no rio Ògùn em Abeokuta.

    Iemanjá, a rainha do mar, também é conhecida como dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, em paralelo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, uma imagem das terras natais da África e a saudade dos dias livres na floresta.

    Além dos diversos nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, também é utilizada a forma portuguesa Janaína, embora raramente. Essa alcunha foi criada durante a escravidão como uma maneira mais suave de preservar os cultos tradicionais sem a interferência dos senhores, que viam essas manifestações como pagãs. Embora essa invocação tenha caído em desuso, várias composições populares foram criadas para saudar a “Janaína do Mar” como canções litúrgicas.

    Pierre Verger, um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro, babalawo e sacerdote yorubá, dedicou sua vida ao estudo da diáspora africana, das religiões afro-brasileiras e dos fluxos culturais e econômicos entre a África e o Novo Mundo. Em seu livro “Dieux D’Afrique”, Verger registrou que Iemanjá é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida na região entre Ifé e Ibadan. Com as guerras entre as nações iorubás, os Egbá emigraram para Abeokuta no início do século XIX. Embora não pudessem levar o rio consigo, levaram os objetos sagrados que representam a divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se a nova morada de Iemanjá. É importante destacar que esse rio Ògùn não deve ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros.

    No Brasil, Iemanjá é muito popular entre os seguidores das religiões afro-brasileiras. Em Salvador, ocorre uma das maiores festas do país em homenagem à Rainha do Mar no dia 2 de fevereiro. A celebração reúne milhares de pessoas vestidas de branco, que participam de uma procissão até o templo-mor próximo à foz do rio Vermelho, onde são depositadas várias oferendas, como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e outros presentes.

    Outra festa importante dedicada a Iemanjá acontece durante a passagem de ano no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas comparecem e lançam oferendas ao mar, além de participarem do tradicional “Banho de pipoca” e pularem sete ondas como forma de pedir sorte à orixá. Na Umbanda, Iemanjá é considerada a divindade do mar e a padroeira dos náufragos, sendo conhecida como mãe de todas as cabeças humanas.

    Iemanjá possui diversas qualidades e representações, tais como Yemowô, que na África é esposa de Oxalá; Iyamassê, mãe de Sàngó; Yewa, rio africano que é frequentemente confundido com Yemanjá em algumas lendas; Olossa, lagoa africana onde deságuam os rios Yewa e Ògùn; Iemanjá Ogunté, que se casa com Ògún Alagbedé; Iemanjá Asèssu, uma figura voluntariosa e respeitável; e Iemanjá Saba ou Assabá, que está sempre fiando algodão e é a mais jovem.

    A figura de Iemanjá possui um sincretismo com a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes quanto Iemanjá têm sua data festiva no dia 2 de fevereiro, e em algumas festividades, as duas figuras são celebradas conjuntamente. No dia 8 de dezembro, é realizada a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia à beira-mar na Bahia, sendo feriado municipal em Salvador. Nessa data, ocorre o presente de Iemanjá na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar, também conhecida como Janaína.

    A tradicional Festa de Iemanjá em Salvador acontece na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de fevereiro. Essa celebração também é realizada em outras praias brasileiras, onde são oferecidas velas e flores e lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais.

    A festa católica ocorre na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de Candomblé e Umbanda demarcam seus espaços na areia das praias com cordas, fitas e flores para realizar seus rituais.

    No Brasil, Iemanjá, conforme descrito por Pierre Verger, representa a mãe protetora de seus filhos, cuidando deles com todo o seu amor. Ela é como uma mãe para várias crianças, assim como para os peixes, que são considerados seus filhos espirituais. A conexão com a água e o mar simboliza a vida, a fecundidade, a maternidade e a purificação. Como mãe e protetora, Iemanjá é cultuada e reverenciada por aqueles que buscam seu apoio e orientação, especialmente nas áreas relacionadas à família, à fertilidade e à estabilidade emocional.

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