Por: Lauro Santos
Iniciou seus estudos de música ainda em Itaberaba, sob a orientação do Roberto Lídio Dantas. Em 1910, mudou-se para Salvador, onde ingressou no Conservatório de Música da Bahia, estudando com Sílvio Deolindo Fróes. Durante sua permanência na instituição, destacou-se por liderar um movimento de professores e alunos em defesa do Conservatório, buscando apoio do governo estadual para evitar seu fechamento.
Em 1915, mobilizou a sociedade baiana para a criação da Sociedade Auxiliadora e Protetora do Conservatório, de caráter artístico e filantrópico, destinada a garantir a manutenção da escola. Três anos depois, em 1918, essa sociedade foi fundida ao Conservatório de Música, originando o Instituto de Música da Bahia.
Zulmira Silvany atuou como professora do Instituto e exerceu os cargos de primeira secretária da diretoria e, posteriormente, de vice-diretora, permanecendo na instituição até 1930, quando fundou o seu próprio curso de música em Salvador.
Produção musical
A produção de Zulmira Silvany é vasta e diversificada, abrangendo mais de duzentas composições das quais somente um pouco mais de cem foram encontradas até o momento. Sua obra inclui peças infantis, folclóricas, nacionalistas, sacras e educacionais. Entre suas obras mais conhecidas estão o Hino à Imprensa e o bailado sertanejo A Caiana.
Suas composições revelam uma forte preocupação pedagógica e estética, com ênfase na formação musical de crianças e jovens, unindo sensibilidade artística a propósitos educativos e sociais.
Segue abaixo a música para piano solo Uma tarde na Tijuca trasncrita e executada e gravada atráves de processo digital pelo pesquisador Lauro Santos.
Atuação cultural
Além da produção artística, Zulmira Silvany foi uma figura central na organização da vida musical baiana, promovendo concertos, audições e festivais beneficentes. Sua presença constante na imprensa de Salvador nas décadas de 1910 a 1940 demonstra uma atuação sistemática na difusão da música e no fortalecimento das instituições culturais da Bahia.
Contexto e reconhecimento
O musicólogo Guilherme de Mello, em A Música no Brasil (1908), descreveu o Conservatório de Música da Bahia como uma pequena escola de estrutura modesta — contexto que evidencia a fragilidade do ambiente musical baiano da época e reforça o papel pioneiro de Zulmira Silvany na consolidação de um espaço artístico de relevância social.
Embora sua obra não tenha alcançado ampla circulação nos grandes centros musicais do país, como Rio de Janeiro e São Paulo, Zulmira Silvany foi decisiva para o fortalecimento da vida musical em Salvador, tornando-se uma das primeiras mulheres a dirigir orquestras e a compor repertórios voltados à formação cidadã e educacional na Bahia.
Zulmira Silvany faleceu em 13 de maio de 1962, deixando um legado que entrelaça arte, educação e compromisso social, permanecendo como referência na história da música baiana.
OBS: Esse é somente uma pequeno preview da pesquisa que está sendo realizada e organizada pelo pesquisador Lauro Santos mestrando do programa de pós-graduação da Universidade Católica do Salvador.
Fontes:
ACERVO DO INSTITUTO DE MÚSICA DA BAHIA. Atas, publicações e registros históricos (1915–1960). Salvador: Universidade Católica do Salvador, [documentos consultados pelo pesquisador no período de 2022 a 2025].
PERRONE, Maria da Conceição Costa; CRUZ, Selma Boulhosa Alban. Instituto de Música: um século de tradição histórica na Bahia. Salvador: Gráfica da UFBA, 1997.
MELLO, Guilherme de. A Música no Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908.

